Quantas academias fecham em cinco anos: a curva medida, capital por capital
Falar do risco de fechar uma academia é fácil. Dizer quantas fecham exige medir, e medimos na Receita Federal, com 58.796 academias abertas no Brasil desde 2015: 69 em cada 100 chegam ao quinto ano com o CNPJ ativo. Este artigo mostra a curva, o que ela conta como fechar, onde se fecha mais, e por que o número que circula com o nome do IBGE mede outra coisa.
A curva, ano a ano
Das academias de verdade abertas desde 2015, contando só as que já tinham idade para chegar a cada marco:
- 1 ano — 95 em cada 100 continuavam ativas
- 3 anos — 82 em cada 100
- 5 anos — 69 em cada 100
Lido pelo outro lado: pelo menos 4 em cada 100 fecham no primeiro ano, pelo menos 17 até o terceiro e pelo menos 30 até o quinto. Do primeiro para o terceiro ano a curva cai 13 pontos, e do terceiro para o quinto, mais 13. O risco não se concentra na abertura: ele segue no mesmo ritmo depois dela.
E quase todas as academias que completaram cinco anos nesta conta atravessaram a pandemia dentro desses cinco anos. A curva inclui esse período, e não há como separá-lo dela.
O que conta como fechar
Uma academia entra na conta como fechada quando o CNPJ dela é baixado ou declarado inapto. A Receita declara inapta a empresa que passa dois exercícios seguidos sem entregar declaração, que na prática é empresa parada. Contar só a baixa deixaria a curva otimista demais, porque parte das academias que param nunca pede baixa.
E “academia de verdade” quer dizer academia: personal trainer com CNPJ, assessoria esportiva e MEI de treinamento personalizado abrem no mesmo código de atividade e saem da conta antes de medir.
Por que o número é um teto
A porta fecha antes do CNPJ. Entre a última aula e a baixa na Receita podem passar meses, às vezes anos, e durante esse tempo a academia fechada conta como viva. O erro tem uma direção só: a proporção real de academias fechadas é igual ou maiordo que a medida. Por isso o texto diz “pelo menos 30”, e não “30”.
Onde se fecha mais
A mesma conta, feita capital por capital. O número é a proporção de academias ativas aos cinco anos, e o “±” é a margem de erro, que depende de quantas academias cada capital tem na amostra:
- Belém — 77% (±6)
- Rio de Janeiro — 76% (±4)
- Florianópolis — 76% (±7)
- Curitiba — 72% (±5)
- Cuiabá — 71% (±9)
- Teresina — 71% (±8)
- Fortaleza — 71% (±5)
- São Paulo — 71% (±3)
- São Luís — 70% (±8)
- Aracaju — 69% (±8)
- Manaus — 68% (±7)
- Recife — 68% (±7)
- João Pessoa — 67% (±8)
- Goiânia — 67% (±6)
- Maceió — 66% (±8)
- Brasília — 66% (±4)
- Salvador — 64% (±5)
- Belo Horizonte — 64% (±5)
- Macapá — 64% (±10)
- Campo Grande — 63% (±7)
- Porto Alegre — 62% (±6)
- Natal — 57% (±7)
Leia a lista pelas pontas. A diferença entre Belém, Rio e Florianópolis de um lado e Porto Alegre e Natal do outro é maior que a margem de qualquer uma delas, então é diferença de verdade. No meio da lista, duas capitais separadas por dois ou três pontos estão empatadas: a margem é maior que a distância.
Cinco capitais ficaram de fora porque não têm academias suficientes abertas desde 2015 para uma curva própria: Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista, Palmas e Vitória. Não publicamos número onde a amostra não sustenta.
Entre os estados com amostra para margem de até 5 pontos, a sobrevivência aos cinco anos vai de 61% na Paraíba a 75% no Rio de Janeiro. São Paulo e Minas Gerais ficam em 68%.
Uma ressalva que vale para toda comparação entre lugares: a curva mede quando o CNPJ foi baixado, e parte da diferença entre dois lugares pode ser a velocidade com que se dá baixa em empresa parada, e não a velocidade com que a porta fecha. A curva não separa as duas coisas.
E o “6 em 10” do IBGE?
Circula que “6 em cada 10 empresas fecham em até cinco anos, segundo o IBGE”. O número existe e está certo. Ele só não é de academia.
Ele sai da pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, do IBGE. Na edição de 2022, publicada em dezembro de 2024, 37,3% das empresas nascidas em 2017 sobreviveram cinco anos. Três diferenças de método explicam a distância para a nossa curva:
- O IBGE conta só empresas com empregado. A pesquisa acompanha empresas com pelo menos um funcionário assalariado. Academia que opera sem funcionário registrado não está na conta.
- Perder os empregados conta como morrer. Para o IBGE, uma empresa que passa 24 meses sem nenhum empregado sai da população, mesmo que continue aberta. Na nossa curva, ela segue viva enquanto o CNPJ estiver ativo.
- O setor não é academia. O número mais próximo que o IBGE publica é o da seção Artes, cultura, esporte e recreação, que junta academia com atividade artística, museu, clube e recreação. Nela, 34,6% das empresas nascidas em 2017 sobreviveram cinco anos.
Nenhuma das duas medidas é a taxa de portas fechadas. O IBGE conta como morta uma academia que ficou dois anos sem empregado. A Receita conta como viva uma academia que fechou e ainda não deu baixa. O que dá para afirmar sobre academias, com o dado de cada academia, é o que está acima: pelo menos 30 em cada 100 fecham o CNPJ antes do quinto ano.
O que a curva não diz
- Por que fecharam. Ponto errado, preço errado, sócio que brigou e pandemia terminam todos no mesmo registro de baixa.
- Quem se pagou. CNPJ ativo não é investimento recuperado. Uma academia pode chegar ao quinto ano ainda pagando a obra.
- O risco do seu endereço. Trinta em cada cem é a taxa de um grupo enorme de academias muito diferentes entre si. Não é a chance de uma academia específica fechar. Essa depende do ponto, do formato e da conta de cada uma.
A conta que diz quando o investimento volta →
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De onde vêm os números
A curva sai dos CNPJs de CNAE 9313 na Receita Federal, com o filtro que separa academia de verdade de personal PJ, assessoria esportiva e MEI de treinamento. A coorte são as 58.796 academias abertas de janeiro de 2015 em diante. Cada marco usa só as academias com idade para chegar a ele: 52.089 no primeiro ano, 38.733 no terceiro e 28.436 no quinto. Baixa e inaptidão contam como fechamento.
A curva por capital usa o município do endereço de cada academia, entre as que têm endereço localizado, e só publica capital com pelo menos 150 academias na coorte. A margem é o intervalo de 95% de confiança, arredondado para cima. Os percentuais são arredondados para baixo.
Apuração feita na nossa base de produção em 13 de setembro de 2026, sobre o extrato da Receita Federal de 22 de agosto de 2026. Os números do IBGE são da publicação Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022, tabelas 12 e 13.
O relatório do Atlas traz essa curva para a cidade de qualquer endereço do Brasil, ou para o estado quando a cidade não tem amostra, ao lado de quantas academias do entorno já operam há mais de cinco anos.
Foto de Tima Miroshnichenko no Pexels.
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